Everyone a Changemaker

Doutora Célia durante a sua participação nos 'Ashoka Talks' no evento Everyone a Changemaker
Célia Sousa, coordenadora do Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) participou nos ‘Ashoka Talks’ do segundo dia do ‘Everyone is a Changemaker’, um evento que consistiu na apresentação de projetos de empreendedorismo social.
O evento realizou-se entre os dias 7 e 9 de Maio, em Lisboa, Leiria e Porto, respetivamente. ‘Everyone a Changemaker’ teve como promotores o Instituto Politécnico de Leiria, a Universidade Católica Portuguesa, a Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, a Fundação Montepio, a Ashoka e o Instituto Padre António Vieira.
Cada dia incluiu workshops de manhã e ‘Ashoka Talks’ à tarde, em que os oradores contaram com 10 minutos para apresentar os seu projetos, utilizando um estilo parecido aos ‘Ted Talks’, o que conferiu um ambiente informal e fez com que os convidados pudessem ser criativos, favorecendo o interesse da plateia.
‘Juntos pela inclusão’ foi a expressão chave da comunicação de Célia Sousa, que teve o objetivo de mostrar como é que o CRID, que começou como um “sonho”, se tornou no “farol da inclusão de Leiria”. Foram abordados os projetos que o Centro de Recursos para a Inclusão Digital já criou, bem como as necessidades e a falta de resposta por parte da sociedade que ainda existem. No final, foi transmitido que, apesar de haver um longo caminho a percorrer, o “sonho” ainda persiste e o CRID vai continuar a fazer tudo aquilo que conseguir para tornar a sociedade mais inclusiva.
Os outros oradores também apresentaram projetos de esperança, inclusão e inovação social, desde escolas que estão a criar formas diferentes de abordar os currículos, a projetos de inclusão de estrangeiros, daltónicos ou até mesmo reclusos.
Alguns dos palestrantes fazem parte da rede internacional de “Ashoka Fellows”, que inclui empreendedores sociais que passaram por um processo em que, pelo seu valioso contributo à sociedade, foram eleitos para fazer parte desse grupo.
Porém, para conseguir fazer mudanças é necessário transmitir a ideia a quem tem o poder de a ajudar a tornar realidade. Daí, se ter abordado a importância de possuir o máximo possível de ligações com pessoas relevantes. O ideal é existir uma rede de contactos onde cada pessoa conhece vários indivíduos de diferentes áreas profissionais, grupos sociais, entre outras categorias. Desta forma, é mais fácil conseguir atingir os objetivos de empreendedorismo social.
Este evento foi uma oportunidade de conhecer outros projetos, nacionais e internacionais, e dar a conhecer o CRID, para que no futuro exista uma sociedade mais justa e inclusiva, onde todos se sentem parte dela e podem desenvolver o seu potencial.

Workshop “Comunicar é possível para todos”

Painel de Oradores
“Comunicar é Possível para Todos”. Foi esta a principal mensagem que se pretendeu passar no workshop que se realizou no dia 18 de Abril no auditório 2 da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Leiria (ESECS). A iniciativa partiu do núcleo de Educação Social e tinha como objetivo angariar dinheiro para os alunos comprarem trajes académicos. O Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) não pôde deixar de participar.
O workshop abordou temas como a comunicação acessível, a língua gestual portuguesa e o braille, tendo como oradores a doutora Célia Sousa, o Dr. Luís Vicente e o Dr.Renato Coelho.
Para a doutora Célia Sousa, as pessoas “não precisam de dizer uma palavra para comunicar”. Só em Portugal existem mais de 68 000 indivíduos que não utilizam a linguagem verbal.
As formas alternativas de linguagem não são apenas destinadas a quem nasce com alguma deficiência. São também úteis para os turistas que não dominam a língua, para desenvolver a linguagem das crianças pequenas ou até mesmo para os idosos que têm baixa visão, demência ou baixa escolaridade.
No caso dos portadores de deficiência, estas ajudas vão permitir que se tornem mais autónomos porque podem comunicar as suas próprias ideias, escolhas e opiniões.
Se alguns produtos de apoio são caros, existem alternativas que se podem utilizar, como por exemplo miniaturas, objetos do dia a dia ou até mesmo cartões com pictogramas feitos em casa.
A maior dificuldade, no entanto, prende-se com a sociedade. A maior parte dos locais públicos não é inclusivo e alguns dos produtos de apoio, principalmente os que trabalham com som são ainda mal vistos pelas outras pessoas. Por essa razão, muitos portadores de deficiência sentem-se inúteis em relação aos outros e têm uma vida pouco ativa.
No entanto, têm começado a aparecer materiais inclusivos nalguns espaços públicos, que visam promover uma sociedaade inclusiva, em que todos fazem parte, independentemente das diferenças. Um exemplo é o Mosteiro da Batalha que tem um itinerário inclusivo que também conta com imagens em relevo, pictogramas e braille.
Comunicar de forma inclusiva não prejudica quem não necessita de ajudas, mas é uma grande mais valia para uma sociedade mais justa.